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Redações de alunos do Curso Chico Viana


A “receita” da felicidade
 

“Felicidade é viver em paz e harmonia”. Essa é a definição do que é ser feliz segundo o budismo. Todavia, habitamos um mundo dominado pelo sistema capitalista e, devido a isso, felicidade virou sinônimo de ostentação. A sociedade encontra-se dividida entre os que buscam a satisfação do espírito e os que almejam obter sucesso. Apenas a primeira dessas metas é essencial para o ser humano.

Vivemos numa época em que ser feliz tornou-se uma obrigação – as pessoas tristes são indesejadas, vistas como fracassadas. Muitos estão se esforçando demais para demonstrar felicidade, e sofrendo por dentro devido a isso. A felicidade está virando um peso, uma fonte terrível de ansiedade.

Grande parte da população tem uma visão quantitativa da felicidade. Para tais pessoas, ser feliz é ter beleza física, ganhar muito dinheiro ou possuir status social. A busca patológica por esses atributos torna-se, na maioria das vezes, prejudicial ao indivíduo, uma vez que ele deixa de se preocupar consigo e passa a viver em função dos outros.

Recente matéria da revista Superinteressante mostra o que seria a “receita” da felicidade. Segundo ela, para ser feliz é preciso fazer as coisas com dedicação, encontrar prazer no que se faz, ter uma religião ou, simplesmente, fazer o bem aos outros. Matérias como essa mostram que fama e fortuna não constituem, por si, requisitos para a obtenção da felicidade.

À medida que o homem tenta alcançar o sucesso, mais se distancia da felicidade. Fama, fortuna e status social podem ser vistos apenas como conseqüências de uma vida feliz.

Antônio Moreira Montenegro (turma extensiva – noite)

 
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Por que para amanhã?
 

Desde criança, gostava de cultivar amizades. Talvez por me sentir sufocada com os diversos cuidados que meus pais tinham comigo, procurava aproveitar ao máximo o tempo em que permitiam que saísse e brincasse. Dentre os meus colegas, uma era especial; chamava-se Eduarda, tinha a minha idade e morava na mesma rua em que eu.

Nossa amizade era algo tão forte a ponto de uma saber tudo o que se passava na vida da outra – e, o mais impressionante, saber até mesmo em que a outra estava pensando em certo momento. Também pudera! Nem me lembro de quando a conheci – talvez desde o tempo em que eu era um bebê –, pois sempre moramos próximo.

O tempo foi passando e nós íamos entrando na adolescência com o mesmo recíproco apego. Só que, nessa fase, nossas vidas mudaram muito: os pais de Eduarda se separaram e ela teve que abrir mão dos estudos para trabalhar e ajudar sua mãe no orçamento doméstico. Já em minha família, minha avó estava passando por uma crise de depressão, o que me deixou um pouco atribulada. Entretanto, mesmo ocupadas com nossos problemas, não perdíamos o contato.

Certa noite, combinamos ir juntas a uma festa e assim o fizemos. A certa altura ocorreu um imprevisto, e nós acabamos discutindo. Passamos o resto da noite sem nos falar. Na manhã seguinte, pensei um pouco e decidi ligar para ela – afinal, havia sido um pouco grossa. Mas lembrei-me de que, antes de discutirmos, Eduarda comentara comigo que viajaria na manhã seguinte para uma cidade vizinha, a fim de assistir ao casamento de um tio. Resolvi ligar mais tarde. Minutos depois, meu pai veio me comunicar que o carro em que Eduarda viajava sofrera um acidente, e que todos os que nele estavam morreram. Naquela hora, uma mistura de angústia e remorso me invadiu e eu entrei em desespero. Como aquilo podia ter acontecido logo com Eduarda? Foi o pior dia da minha vida.

Hoje, arrependo-me profundamente de ter dito a Eduarda naquela noite o que não condizia com o que eu realmente achava dela, só para magoá-la. Sei que foi uma infantilidade que me custou caro. Entretanto, isso me ensinou que não devemos esperar para dizer algo a uma pessoa querida, pois o amanhã pode nunca chegar.

Taciana Raquel Sobreira (turma extensiva – tarde)

 
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