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:: CONTATOS - Tire sua dúvida
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01/04/2007 |
O leitor Carlos F. Souza envia-nos e-mail querendo saber se está correta a grafia do “porque” na seguinte frase: “A dedicação à empresa explica porque ele foi promovido tantas vezes”.
Prezado Carlos, “porque” se escreve junto e sem acento quando é conjunção (equivalente a “já que”, “uma vez que”) ou substantivo. Neste último caso, recebe acento circunflexo: Exemplos: “Só fiz a tarefa porque fui obrigado”; “O porquê da sua recusa me deixou atônito”.
Na sua frase, “por que” é constituído de duas palavras: preposição e pronome interrogativo. Confira: “A dedicação à empresa explica por que (motivo, razão) ele foi promovido tantas vezes.”
A propósito: sempre que se pode acrescentar a palavra “motivo” ou “razão”, “por que” se escreve separado.
“Por que” também se separa quando representa a soma de preposição mais pronome relativo. Nesse tipo de estrutura, o “que” retoma palavra que o antecede. Veja: “Superlotação foi o motivo por que (pelo qual) ninguém quis assistir ao filme”.
Espero que tenha ficado claro. Um abraço e até a próxima. |
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01/04/2007 |
Uma dúvida comum entre os vestibulandos é quanto à liberdade de expressarem suas idéias na dissertação. Eles temem que a Banca não concorde com o que pensam sobre determinado assunto. Alguns por contas desse temor chegam a omitir suas opiniões, mudando-as por vezes.
Esse tipo de receio não tem nenhum fundamento. Os corretores não estão interessados no que você pensa, e sim na forma como expressa e sobretudo defende suas idéias.
O básico, então, é saber argumentar. Há vários tipos de argumentos, que grosso modo se resumem a dois: os factuais e os lógicos. Argumenta-se trazendo ao texto fatos, dados, exemplos; ou concluindo verdades a partir de evidências lógicas.
Isso não quer dizer que você deva rechear sua redação de percentagens e dados estatísticos. Mais importante do que apresentar um monte desses dados é explicar o que um ou outro significa. E fazer com que ele, de fato, sirva de fundamento a seu ponto de vista.
Enfim, não tenha medo de dizer o que pensa. O importante é convencer a Banca de que sua opinião não é fruto de ignorância, ou de capricho. |
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01/04/2007 |
O leitor Sebastião Vieira do Nascimento tem dúvidas sobre o sentido da palavra “pedófilo”. Eis um trecho do seu e-mail:
“Consultei alguns dicionários, e lá está: ‘Pedófilo - amigo da criança; aquele que quer bem a criança’. Ora, se pedófilo é aquele que quer bem a criança ou é amigo da criança, por que o homem pedófilo (por exemplo, padre pedófilo) é aquele que sente impulso sexual direcionado a crianças? Os dicionaristas deveriam incluir (...) outra palavra para aqueles que sentem impulso sexual direcionado a crianças. Que tal a palavra pedosexófilo?”
Caro Sebastião: etimologicamente “pedófilo” significa, de fato, amigo de criança. Mas o radical “filo” adquiriu nessa palavra uma extensão de sentido; passou a designar atração sexual.
Não sei que dicionário (s) você consultou, mas tanto o Houaiss quanto o Aurélio definem a pedofilia como uma perversão. A não ser no plano etimológico, essa palavra não tem sentido inocente. Não indica apenas amizade por crianças.
Um abraço e até a próxima. |
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01/04/2007 |
O leitor Jorge Sampaio Neto nos escreve perguntando se existe a palavra “estória”. “Em caso afirmativo”, quer saber, “quando se deve usá-la no lugar de ‘história’?”.
Caro Jorge, a palavra “estória” existe, sim. Ela foi adotada pelo conde de Sabugosa com o sentido de narrativa de ficção. O Houaiss define-a como uma “narrativa de cunho popular e tradicional”. Por estar associada a invenção, mentira, tem também o sentido de balela, lorota, conversa mole.
É comum opor-se “estória” a “história”, considerando-se esta última a narrativa de ocorrências reais, baseadas em testemunhos e documentos. Os dicionários não são rigorosos nessa distinção; dão “história” como sinônimo de “estória”, o que justifica designações como “história de Trancoso”, “história da Carochinha”, “história do Lobo Mau” etc.
Os puristas condenam a forma estória por considerá-la anglicismo (expressão própria do inglês), mas essa condenação é injustificada. Luiz Antonio Sacconi observa, a propósito, que “estória” aparecia no português arcaico. E lembra ainda que seu uso foi sugerido, em 1919, por um gramático do peso de João Ribeiro. |
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